Coach de qualquer coisa

29/08/2018

Recebi hoje de uma amiga, que sabe que tenho formação em coach, um post de um coach especializado em capacitar homens para que estes possam atrair mulheres. Esse post me despertou duas reflexões: Primeiramente a visão machista desse “profissional” ao ensinar métodos para “pegar mulher”, demonstrando inclusive, por vídeo, situações reais de interação, tratando as mulheres como meros objetos a ser obtido por homens.
O outro ponto de reflexão está ligado a questão da profissão Coach. Compartilhei a postagem com colegas coaches do meu grupo de formação e percebi que muitos profissionais estão preocupados com a grave banalização das atividades relacionadas ao coaching.
Somente para contextualizar, o coaching é realizado entre um coach (profissional) e seu coachee (cliente) e é um processo riquíssimo, que tem resultados reais, tendo por base teorias e pesquisas nas áreas de neurociências e psicologia positiva e que comprovam que a metodologia é eficiente no desenvolvimento humano e organizacional.
A metodologia utilizada nos principais processos de coaching comportamental fornecem o entendimento necessário de conhecimento dos profissionais coach, esses utilizando de maneira séria e profissional os métodos e técnicas apropriadas facilita o coach a conduzir o coachee a buscar resoluções de problemas de forma consciente e crítica.
São muitas empresas formando coaches, sem critérios de carga horária, conteúdo, ou profissional qualificado a ser formador de outros profissionais.


Logo o que me entristece é um método que funciona estar sendo tratado de maneira frívola e por pessoas com formação que fica a desejar.
Com o “boom” dessa profissão é possível encontrar Coach pra tudo: Desenvolver a liderança, melhorar carreira, desenvolver o desempenho nos esportes, atividade física, emagrecer, parar de fumar, ser sensual, pegar mulheres, até pra fazer o intestino funcionar melhorar, virou uma M mesmo.
Mas voltando a racionalidade, pois me exaltei no parágrafo anterior, penso que essa vulgarização ocorre com coisas que são muito boas, eficientes, que mostram resultados, e que de repente todos querem fazer uso do modelo. Por exemplo, o telemarketing quando implantado no Brasil representou um verdadeiro sucesso; as empresas desse segmento cresciam 60% ao ano, então, começaram a fazer tudo pelo telefone, vendas, cobrança, relacionamento empresa cliente, nos recebíamos milhares de ligações a qualquer horário transformando uma coisa que era para facilitar a vida de todos em uma ferramenta capaz de deixar todo mundo louco.
Então em 2005 veio a regulamentação, as leis orgânicas dos municípios para limitar os contatos ativos de ligações e hoje estamos vivendo na era das telecomunicações uma evolução de melhoria do uso de contatar o cliente a distância, fazendo uso além do telefone, também de outras mídias.
Podemos verificar em várias áreas esse movimento, foi muito bom o resultado, as pessoas ficam “enlouquecidas”, entra banalização e depois vem o controle, a regulamentação.
Acredito que para o Coaching a saída também seja a regulamentação, pois dessa forma, muitas das preocupações que estamos percebendo em relação a esses processos seriam dirimidos.
Já participei de muitas transformações de pessoas, potencializando o seu melhor e não podemos desacreditar da metodologia, nos baseando apenas em alguns poucos profissionais que não estão fazendo da melhor maneira, contudo, embora acreditando na efetividade de muitos processos de coaching sinto-me algumas vezes constrangida em me apresentar como coach.

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